La vi d´arte
Eu sou um daqueles que já gostava de desenhar desde que me entendo por gente.
Apesar de que, na verdade, todo mundo gosta de desenhar quando criança.
Eu só não parei.
Lembro que já no jardim de infância eu recebia elogios pelos meus rabiscos.
E no início do ensino fundamental eu já dizia que queria ser artista.
Santa inocência.
Era sempre visto como “O Desenhista” da classe.
Qualquer coisa ligada a desenho que surgisse logo gritavam meu nome.
E tudo que era arte me despertava interesse, mesmo quando eu nem sabia que aquilo era arte.
A música também surgia na minha vida, comecei a aprender a tocar violão, depois foi o violoncello, participei da jovem orquestra da minha ciadade.
Me considerava o PUNK na minha adolescência, ia pros buracos mais profundos ver zilhões de bandas tocarem.
Viajava pra longe e dormia nas rodoviárias.
Em Limeira (interior de São Paulo, cidade onde nasci e vivi por muito tempo), existiam inúmeros cursos oferecidos gratuitamente pelo centro cultural municipal.
Foi lá onde aprendi a tocar os instrumentos musicais que citei, foi lá onde tive meu curso de pintura, fiz oficinas de histórias em quadrinhos, desenho animado, elaboração de fanzines, escultura, teoria da arte, kung fu, tai chi chuan.
Enfim, foram tantos cursos que eu nem lembro mais.
Eu ia todos os dias da semana (incluindo sábados e domingos). Quase morava lá.
Paralelamente a tudo isso, eu já fazia o curso técnico de informática lá no colégio da UNICAMP que havia na cidade.
Naquela época eu pensei que iria me dar bem na aréa da computação, porque era a única que me interessava dentre as opções oferecidas. Ser artista tinha ficado um pouco de lado porque comecei a enxergar mais como hobby e não imaginava que poderia ganhar dinheiro com aquilo.
Nessa mesma época comecei a trabalhar, com manutenção de redes e equipamentos de vídeo conferência.
Descobri que dentro da informática existia as subdivisões que voltavam mais para parte gráfica ou mais para programação. Foi bom ter feito esse curso, pois foi possível eu tomar uma decisão importante na minha vida. Eu definitivamente não gostava de programar.
Percebi também, que não tinha afeição nenhuma com as ciências exatas.
Nesse colégio eu também pude ganhar meus primeiros prêmios reais (sim, $reais$ hehe) com meus trabalhos artísticos.
Nessa altura eu já havia me decidido a prestar vestibular em Artes Plásticas.
Não me via fazendo outra coisa. Era aquilo mesmo que eu queria.
Prestei a primeira vez sem muita bagagem, só com o que eu tinha aprendido pessimamente no ensino médio.
Tentei USP e Unicamp, se não me engano. Não passei nas duas. Cheguei até a segunda fase apenas.
Estudei, fiz cursinho. Trabalhei na Gráfica Central da UNICAMP em Campinas, onde tive um contato maior com a área de design e editoração. Pude aprender sistemas de impressão e softwares muito úteis.
Comecei a imprimir meus primeiros fanzines. Tinha um contexto mais político e
ideológico, algo meio “revoltado”. Nele publiquei minhas primeiras tirinhas
denominadas “TV Querida!”.
Fiz cursinho e tentei novamente o vestibular. Unicamp, Unesp e Ufscar. Novamente fui reprovado nas três. Por pouco não passei.
Trabalhei como professor de informática. Fui selecionado no 1 SALAO DE HUMOR
DE LIMEIRA. Comecei a publicar OS DESAFORTUNADOS em um tablóide da cidade chamado “O PIO”.
Consegui passar num concurso público para secretário de escola em Limeira. Fui trabalhar na secretaria de uma creche.
Prestei novamente Unicamp, Unesp e UFMG, que era a unica faculdade do Brasil com especialização em cinema de animação.
Acabei passando apenas na UFMG.
Ganhei uma bolsa de 100% do PROUNI em um curso de DESIGN GRÁFICO numa faculdade particular (FAAL) la na minha cidade.
Comecei a fazer o curso para ver como era e também para me deicidir se eu realmente ia me mudar para Minas Gerais. Como eu tinha passado para o segundo semestre na Federal, tive um tempo pra poder pensar direitinho e juntar uma grana com meu cargo de funcionário público.
Logo tomei minha decisão de largar tudo e ir com a cara e coragem para Belo
Horizonte.
Muita gente achava que era loucura o que eu estava fazendo.
Mas mesmo assim, eu fiz o que eu queria. Eu não podia ficar o resto da vida
sendo funcionário público, mesmo ganhando relativamente bem. E a faculdade de
design era bacana, mas ainda não era exatamente o que eu desejava.
Meus pais entenderam.
Finalmente me mudei pra BH e comecei a fazer Belas Artes na UFMG.
Arranjei um emprego de professor de corel e ao mesmo tempo comecei a trabalhar
de designer. Eu tinha que me sustentar por aqui.
Um semestre depois comecei a trabalhar aonde estou até hoje, uma empresa que
faz cursos de ensino a distância. Eu faço as ilustrações e as animações
utilizadas nas aulas. Ou seja, consegui realizar um sonho antigo que era
trabalhar como ilustrador.
Comendo só miojo por muito tempo, consegui juntar uma grana e comprar um computador e uma tablet. A partir daí o RyotIRAS ganhou mais força e se consolidou com postagens diárias.
Atualmente, tenho 22 anos e estou no quarto período da minha especialização em cinema.


